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27/02/18

Venda da Embraer: mais um golpe contra a ciência e tecnologia do País

Professor alerta para o risco de o Brasil abrir mão da principal empresa que exporta produtos de alto valor agregado e que está atrelada à soberania nacional.

A imprensa nacional, desde o dia 25 último, especula sobre a finalização do negócio entre a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e a norte-americana Boeing, que preveria a criação de uma empresa para jatos comerciais onde a estadunidense teria 51% do controle acionário, e a brasileira, 49%.

Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nesta terça-feira (27/02), assinado pelo vice-presidente Executivo Financeiro e Relações com Investidores da empresa, José Antonio de Almeida Filippo, afirma-se que “até o momento não há definição acerca da estrutura da referida combinação de negócios, incluindo os percentuais que as partes eventualmente possuirão caso venha a ser implementada a referida combinação de negócios”. Em outro trecho a nota pontua: “A Embraer reitera que não há garantia de que a referida combinação de negócios venha a se concretizar.”

Contudo, desde que a informação sobre as tratativas entre as duas fabricantes chegou ao conhecimento público, em 21 de dezembro último, o debate é grande sobre o País abrir mão de empresa estratégica. William Nozaki, professor de ciência política e economia da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FespSP), acredita que se tal negociação se concretizar será o “terceiro golpe desferido pelo atual governo contra a política de ciência, tecnologia e inovação no Brasil”.


Ele explica: “O primeiro foi a aquisição do Ministério de CT&I pelo das Comunicações; o segundo foi o corte orçamentário drástico para políticas científicas, tecnológicas e de pesquisa. Por fim, a desnacionalização da Embraer, a principal empresa exportadora de bens de alto valor agregado do País e responsável por alguns dos principais projetos de alto desenvolvimento tecnológico.” Para ele, isso seria mais uma “vitória para a fração rentista representada dentro do governo e certamente mais uma derrota para o País”.

Nozaki avalia que essa transação mostra o desdém do governo “com o desenvolvimento da indústria nacional e um realinhamento 'associado-dependente' à política externa e de defesa dos EUA, na medida em que a Boeing é praticamente uma empresa paraestatal que atua em parceria com o governo norte-americano em todos os grandes projetos militares e aeroespaciais daquele país”.

O professor discorda tratar a questão apenas pela ótica comercial: “Ao tratar tal operação assim, e não como uma negociação estratégica, o Brasil perde soberania nacional, autonomia tecnológica, capacidade de defesa, potenciais científicos e apequena seu papel no tabuleiro geopolítico e geoeconômico global. Ser um país relevante no mundo exige riscos e dá trabalho, duas coisas de que a elite brasileira não gosta.”


Rosângela Ribeiro Gil
Comunicação Seesp

 

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