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30/07/18

SUS é democracia, afirma presidente da Fenafar em abertura do Abrascão 2018

A resistência contra todos os ataques aos direitos sociais do povo brasileiro e a luta em defesa da democracia, da soberania nacional e das instituições públicas deram o tom na abertura do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão), no último dia 26/7, no Rio de Janeiro.

 

 

 

Realizado com a participação de 7.500 ativistas, o Abrascão é o maior evento de saúde da América Latina, reunindo pessoas de diferentes países. Dirigentes da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) e de sindicatos da categoria de vários estados do País também participam do evento. O congresso científico, com ampla compreensão sobre saúde coletiva e direitos à saúde, ocorre a cada três anos. A edição 2018 aconteceu na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos (RJ).

A abertura do Abrascão contou com a presença de várias autoridades e pesquisadores e ativistas da área da saúde e, também, com a participação da ex-presidente do Chile, Michele Bachelet, que fez a palestra “Direitos e Democracia: sistema universais e públicos de saúde”. Ela apresentou um panorama da atual situação da saúde pública em diferentes países da América Latina. “Há uma ofensiva dos setores conservadores contra SUS e não podemos deixar que isso nos abata. Entre os principais desafios para o alcance da saúde pública integral para todos está a garantia de investimento público. O essencial é não perder o foco, e o foco são as pessoas”, avalia.

O presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Gastão Vagner, abriu oficialmente agradecendo os 7.572 inscritos, ressaltando o papel da comunidade da saúde coletiva na realização do evento. Ele destacou a natureza híbrida dos congressos da Abrasco, que junta o componente científico, fruto das investigações, estudos e pesquisas desenvolvidas na área com o caráter político. “A gente vem ao Abrascão para trocar ideias, discutir, aprender e tirar diretrizes e plataformas para nossa ação nos próximos anos em cada local, em cada sala de aula, em cada serviço de saúde e nos nossos movimentos sociais. A gente vem para carregar nossa energia e confirmar para nós e para a sociedade que a esperança somos nós.”


Saúde é democracia

O Controle Social reuniu no Abrascão 536 conselheiros de saúde, promovendo uma série de atividades, tribunas livres e mesas redondas em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos direitos humanos. 

O presidente do Conselho Nacional de Saúde e presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos,fez sua intervenção chamando a atenção para a importância da luta em defesa do SUS e como ela se confunde com a luta pela própria democracia. "O que nos move a pontos de estarmos reunidos aqui? Que força é essa que pulsa dentro de nós que, mesmo quando estamos exaustos na batalha, ela é capaz de nos reerguer? Mesmo diante dos ataques do SUS, dos nossos direitos e da democracia faz com que estejamos juntos aqui?”, ele perguntou. 

Essa força, segundo Santos, é o desejo de um Brasil com democracia e direitos para todos. "Temos que ser disseminadores de reflexão e não de ódio. Da resistência em vez do cansaço. Para isso, contra a ascensão do fascismo, trazemos nossa inteligência coletiva, nossa sede de um Brasil melhor e mais justo, isso tem que estar refletido nas nossas práticas diárias, na autocrítica, na nossa militância, no nosso voto nas eleições gerais”, afirmou o farmacêutico.

Ele listou uma parte importante dos retrocessos e dos ataques promovidos aos direitos sociais no Brasil após o impeachment, que destituiu “uma presidente legitimamente eleita para que as forças do mercado pudessem aplicar a agenda neoliberal no Brasil”, como a Emenda Constitucional 95, a reforma trabalhista, as terceirizações, fim do programa farmácia popular, flexibilização do uso de agrotóxicos. A liderança também citou o assassinato de defensores de direitos humanos, como Marielle Franco, homenageada na abertura do evento.

Santos também falou de retrocessos no campo internacional lembrando das crianças enjauladas nos Estados Unidos da América (EUA), da ofensiva contra a soberania de vários países, e ressaltou que “não podemos esquecer que a nossa luta também é global”.

Ele afirmou que, para mudar a correlação de forças na sociedade, é preciso trazer o povo para a defesa da democracia. "Na década de 80 nós mobilizamos o povo brasileiro em torno da agenda que mais interessa a todos, que é a saúde. Por isso, inspirados nesse potencial e generosidade dos brasileiros nós convocamos a 8ª + 8 = 16ª Conferência Nacional de Saúde”. Ronald recuperou a importância estratégica e o marco político democrático e para a garantia do direito à saúde, que representou a 8ª Conferência.

E concluiu: "Nós temos que discutir a indissociabilidade entre democracia e saúde, esse foi o tema da 8ª e será o tema da 8ª + 8! Saúde não é mercadoria e o povo tem que ser o principal defensor dessa agenda."

 

 

 

 

Fonte: Fenafar com informações da Abrasco e SUS Conecta.  

 





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