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19/03/19

Diretoria da FNE toma posse e faz primeira reunião do mandato 2019-2022

A FNE realiza reunião e cerimônia de posse à diretoria para a gestão 2019-2022.  Os dirigentes foram eleitos durante o X Congresso Nacional dos Engenheiros (Conse), em 2018.

Foto: Edgar MarraFoto: Edgar Marra

Desde o início da manhã desta terça-feira (19/3), dirigentes da nova diretoria da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) estão reunidos na primeira reunião da diretoria eleita, que ocorre ao longo de todo o dia. Às 19h, ocorre a ceriômina de posse no B Hotel Brasília, Asa Norte da capital federal.

O quadro das dificuldades que o País enfrenta, traçado na reunião dos dirigentes eleitos para o mandato 2019-2022, é preocupante. Como frisou o consultor sindical da FNE, João Guilherme Vargas Netto - "a instituição sindical foi ferida de morte". Murilo Pinheiro, reeleito para dirigir a federação, alertou que o momento pede serenidade para um caminho de enfrentamento da crise e elaboração de alternativas propositivas.

O sindicalismo sofre, confome explicou João Guilherme, em consequência de três sérios problemas: Um evidente é a recessão da economia, que provoca grave desemprego. A  reforma trabalhista de 2017 veio desferir um duro golpe nesse cenário já difícil. E a terceira causa é a política de Jair Bolsonaro,"cuja vitória é mais consequência do quadro de desorganização social que o contrário", com fim do Ministério do Trabalho e as Medidas provisórias MPs 871 é 873, contra trabalhadores e todo movimento sindical.

Se as mudanças legais foram feitas para acabar com a institucionalidade do movimento, isso não significa, porém, que tenha eliminado a luta de classes. "Se não for pelo caminho institucional, esse choque vai encontrar alguma forma de se expressar", alertou o consultor sindical, apontando já para a próxima atividade das ruas, a próxima sexta-feira,  22 de março,  quando estão previstas manifestações contra reforma da previdência. "Depois, precisaremos adotar outras táticas, mostrando sua relevância. Uma ideia são as greves programadas simultâneas pelas categorias que conseguirem organizá-las" - exemplificou. E como as políticas em curso agridem os interesses da maioria da população, as reações não tardarão. ". Quando essas agressões se tornarem claras, será ao sindicato, hoje em descrédito, que esses trabalhadores vão recorrer" - previu.

O primeiro debate interno da FNE buscou analisar a conjuntura e as bases para a desestruturação atual da sociedade brasileira.  Antonio Augusto Queiróz, o Toninho do Diap, vê uma mudança de paradigma no Brasil, ético-moral e fiscal-liberal. "Nesse segundo ponto, a livre iniciativa se sobrepõe à capacidade do Estado se fazer políticas que beneficiem os mais pobres" Este, segundo ele, é um momento em que o País se preocupa mais em favorecer o mercado que com a busca de igualdade. Com isto, o Estado vai perdendo sua capacidade de prestar serviços e se regular, o que dificulta manter a paz social.

Para deter reações na sociedade, os movimentos sociais serão crimunalizados - alerta Toninho. E trava-se também uma guerra política para turvar a visão social da realidade. "Por exemplo, o governo apresenta a imprensa com o adversária, mas essa, no entanto, é totalmente favorável à pauta econômica neoliberal, como a reforma da Previdência."  A mentalidade que prevalece é liberal na economia e retrógrada do ponto de vista dos direitos humanos e da proteção ao meio ambiente.

A FNE prepara sua atuação para um período dos mais desafiadores para as entidades de defesa dos trabalhadores e do desenvolvimento nacional.  A direção foi eleita no X Conse, com uma plataforma extensa, em que se compromete com a luta nacional pela preservação de direitos sociais, trabalhistas e sindicais, a a defesa profissional dos engenheiros e seu mercado de trabalho e a valorização da engenharia no Brasil.

A chapa eleita se comprometeu com o acompanhamento dos projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional, com atuação permanente em defesa dos interesses da categoria, da soberania nacional e da regulamentação profissional; defesa do salário mínimo profissional; continuidade e fortalecimento do movimento “Engenharia Unida”; incentivo à criação de possibilidades para que estudantes tenham condições especiais como pré-associados, aproximando os novos engenheiros das atividades sindicais; adoção de iniciativas que atendam a necessidades abrangentes da categoria, sob a forma de benefícios, assistência e serviços; e discussão de propostas para as diversas áreas que envolvam a engenharia e tecnologia, por meio do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”.

Em 2019, a FNE completa 55 anos de fundação, representando mais de 500 mil engenheiros em todo País. Na ocasião, que reuniu as 18 entidades da base sindical da FNE, além de lideranças e autoridades convidadas, os congressistas  aprovaram a Carta do X Conse, que também deve reger compromissos e ações da nova gestão no plano nacional.

Entre os 16 pontos do documento, estão a volta dos investimentos públicos e do papel do Estado como indutor do desenvolvimento,  a preservação da Petrobras e da Eletrobras como empresas estatais;o incentivo à indústria nacional, a defesa dos direitos trabalhistas e a criação da  carreira pública de Estado, entre outros.


Fonte: Site da FNE





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