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19/08/19

Oportunidades, desafios e ameaças da inteligência artificial

Temas foram abordados no seminário “Trabalho digno e sindicalismo na Revolução 4.0”, que integrou a programação da 14ª Jornada Brasil 2022, realizada pela CNTU em 16 de agosto, no auditório do SEESP, em São Paulo.


O seminário “Trabalho digno e sindicalismo na Revolução 4.0” integrou a programação da 14ª Jornada Brasil 2022, realizada pela CNTU na sexta-feira (16/8), no auditório do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), na capital paulista. Durante a atividade, coordenada pelo diretor da CNTU, José Carrijo Brom, foram abordados os desafios e as possibilidades trazidas pelas novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial (IA) para a vida, o trabalho e a organização sindical.

O primeiro painel teve como tema a chamada Revolução 4.0 e o mundo do trabalho. Allen Habert (na foto acima), engenheiro de produção e diretor de Articulação Nacional da confederação, chamou a atenção para a presença hoje cotidiana da inteligência artificial. “Cada vez que a gente acorda, abre o celular, assiste a um vídeo no YouTube, acionamos milhões de inteligência artificiais que vão atrás do nosso perfil para mandar a propaganda específica. Quando você compra uma passagem de avião, a inteligência artificial vai pesquisar qual a que satisfaz, isso eliminou semanas de trabalho”, exemplificou.

Ele, no entanto, alertou para a ainda fundamental participação das pessoas: “Toda inteligência artificial é essencialmente burra, depende da inteligência humana, só anda a partir de regras escritas por homens e mulheres.” Por isso mesmo, Habert defende que a IA seja vista como “inteligência aumentada”.


Comando ético

A questão principal nesse debate, ponderou ele, é quais frutos serão colhidos de uma tecnologia que parece tão versátil e promissora: “Uma nova era de abundância virá? Vai depender da consciência ética da humanidade. Havia a sensação de que iríamos para o paraíso na virada do século XIX para o XX. Quando explodiu em Nagasaki a primeira bomba [no Japão, lançada pelos Estados Unidos ao fim da Segunda Guerra Mundial], o mundo entendeu que, se não tiver comando ético, a tecnologia leva à barbárie.”

Para evitar esse caminho, o dirigente propõe “pensamento social” em vez da crença de que a IA resolverá todos os problemas: “Teremos que ter cada vez mais engenheiros filósofos, que significa o engenheiro ligado a melhorar a vida das pessoas. E isso vale para todas as profissões. Em vez de estudar computação, estude filosofia.” Segundo ele, um exemplo desse exercício é a Conferência São Paulo Sua, em fase preparatória, que pretende organizar coletivamente uma agenda de propostas à cidade, visando às eleições municipais de 2020. A iniciativa exigirá debate e articulação entre pessoas e organizações, mas terá que lançar mão, como ferramenta de apoio, de um aplicativo que será usado para montar as discussões que se pretendem realizar e “conversar com milhões de pessoas”.

Por fim, o engenheiro chamou a atenção para o papel fundamental do sindicalismo nesse contexto em que há “terrorismo” quanto ao fim do emprego devido à tecnologia. “Democracia, soberania e desenvolvimento são questões que dependem de força política. A IA pode criar abundância à medida que tivermos lucidez na batalha das ideias. Precisamos colocar pernas na esperança e nos nossos sonhos”, concluiu.


Substituição perigosa

Para o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Paulo Roberto Feldmann (na foto ao lado), que falou sobre os impactos das novas tecnologias sobre a indústria, é uma preocupação real a presença da IA e da robotização, “que tem crescido de forma explosiva, especialmente nos países desenvolvidos”.

Ele chamou a atenção para a diferença existente entre a automação que se verificou há 30 anos e o processo de transformação atual. “Substituíam-se atividades de movimentos do ser humano, obtendo-se maior velocidade com as máquinas. Mais recentemente surgiu a IA, cujo grande fato é que mexe com a capacidade cognitiva do ser humano. Dotado de IA, o robô vai substituir o cérebro”, afirmou. Ele citou como exemplo o Watson, da IBM, que lê e interpreta exames médicos. “Faz isso com velocidade absurda, mil tomografias em cinco minutos. Seriam necessários 200 médicos em uma semana. Está sendo empregado também na área jurídica. Atividades de engenheiros estão sendo feitas por softwares sofisticados”, destacou. Ou seja, concluiu ele, a IA realiza atividades que envolvem discernimento e interpretação de dados, o que, conforme o professor, “vai causar grandes efeitos em médio prazo, especialmente, aos profissionais liberais”.


Mão de obra dispensada

Conforme Feldmann, o desemprego tem sido uma consequência imediata desse cenário, já que as grandes empresas do mundo, que concentram 70% a 80% da economia, competem entre si com equipamentos cada vez mais sofisticados. “Com isso, dispensam mão de obra. Muita gente perde emprego em virtude da oligopolização. É uma questão chave”, pontuou.

A revolução 4.0, que tem aspectos perniciosos, disse o professor, está tornando desnecessários até os trabalhadores mal pagos. “Muita gente pensa que Trump conseguiu fazer com que as empresas voltassem aos EUA. Não é nada disso, é que, graças à tecnologia, de impressão 3D, por exemplo, as empresas podem produzir a partir da matriz, não precisam mais de mão de obra barata”, informou.

Um dado alarmante, advindo desse novo cenário, somado à crise econômica e aos retrocessos sociais, informou ele, são os 6 milhões que atuam no Brasil como motoristas acionados por aplicativos ou entregadores, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). “Essas pessoas trabalham de forma precária, não têm direito a absolutamente nada. É um problema sério.”


Precariedade e risco

Para o pesquisador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Thomaz Ferreira Jensen (na foto ao lado), a Revolução 4.0 representa ameaças ao trabalhador brasileiro, tendo em vista as dificuldades nacionais. Entre elas, o fato de o Brasil não ter conseguido instalar devidamente a Revolução 3.0, nem se tornado um país de renda média, e sofrer hoje um processo de desindustrialização precoce. Completa o quadro o baixo padrão de investimento em inovação. “Estamos fora do jogo”, resumiu.

Dessa forma, para mudar esse cenário e fazer com que os avanços tecnológicos se traduzam em melhores condições de vida, ele afirmou ser necessária a retomada do processo industrial. Caso contrário, não haverá como reverter o alto desemprego, que ultrapassa os 25% entre os jovens de 18 a 24 anos. Pelo contrário, o fenômeno poderá se agravar, já que, segundo previsões, 35 milhões de pessoas podem ficar desocupadas devido à automação até 2026.

Com isso, explicou Jensen, estabelece-se a tendência de polarização das funções e das rendas: oferta daquelas com baixa remuneração e precarização, notadamente no setor de serviços, e também das mais bem pagas, vinculadas à incorporação da tecnologia. “O fosso no meio é o esvaziamento das profissões liberais”, asseverou.

O técnico do Dieese ressaltou a importância da ação sindical, apesar das dificuldades enfrentadas pelas entidades a partir da vigência da Lei 13.467/2017, que trouxe obstáculos ao custeio de suas atividades e à própria organização dos trabalhadores devido à maior rotatividade e flexibilização de contratos. Para ele, entre os desafios está “lutar para que parte dos ganhos de produtividade sejam destinados a programas de proteção social, por exemplo, na forma de pensões financiadas por imposto vinculado aos níveis de automação”.


Rita Casaro – Comunicação SEESP

 

Confira as apresentações

Paulo Feldmann

Thomaz Jensen

 

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