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16/02/17

Película em telhado refresca ambiente sem esquentar o planeta

Invento desenvolvido por pesquisadores estadunidenses promete substituir o ar-condicionado, vilão da conta de luz e do aquecimento global.

Foto: Glenn Asakawa/Universidade ColoradoFoto: Glenn Asakawa/Universidade Colorado

Verão. Cidades como o Rio de Janeiro marcam 40 graus em seus termômetros, com sensação térmica que ultrapassam 45 graus. Para fugir do calorão, quem pode liga o ar-condicionado. No entanto, o item é caro e altamente poluidor. Os gases liberados por refrigeradores e condicionadores de ar são um dos principais causadores do efeito estufa – responsável pelo aquecimento global.

Até então, não havia alternativa ao luxuoso produto. Em um artigo publicado na semana passada, pela revista acadêmica “Science”, dois pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, nos Estados Unidos, demonstraram uma alternativa para refrigerar ambientes sem esquentar o resto do planeta.

Ronggui Yang e Xiaobo Yin criaram uma película capaz de refrescar prédios sem usar nenhum tipo de gás refrigerador e com o mínimo de energia elétrica.  Eles explicaram que o filme - feito de polimetilpenteno, plástico transparente e disponível comercialmente, que contém minúsculas pedras de vidro - pode ser produzido a partir de métodos conhecidos já pela indústria, a um custo em torno de 50 centavos de dólar, por metro quadrado.. O material é transformado em lâminas com espessura de 50 micrômetros ou milionésimos de metro, e revestido de prata em apenas um dos lados.

A película faz com que ocorra um processo chamado refrigeração radiativa, quando certos comprimentos de onda infravermelha (que transportam o calor), escapem para o espaço. Com o plástico filme, os pesquisadores convertem o calor em radiação infravermelha no exato comprimento de onda que o planeta manda para fora.
Ao colocar essa película sobre o telhado (o lado prateado deve ficar por baixo), a luz solar é refletida pela face prateada através do plástico, o que impede o aquecimento da casa. Além disso, o calor interno é liberado para a atmosfera (com auxílio das pedrinhas de vidro).

Em 2015, cientistas da Universidade e Stanford já haviam criado um material semelhante, mas à base de silício, porém, caro e de difícil fabricação.

Em matéria da revista The Economist, que repercutiu a inovação, eles explicaram que a potência de refrigeração do novo material chega a 93 watts, por metro quadrado, em caso de incidência direta de luz solar. À noite, o efeito é ainda maior. Estima-se que aproximadamente 20 metros quadrados cobertos com a película são suficientes para manter a temperatura de uma casa média em 20°C, durante a estação mais quente.

A eletricidade é usada de forma complementar e para ter controle sobre os níveis de refrigeração, estuda-se incluir um encanamento para transportar o calor para o filme, mantendo a temperatura interna estável.

Pesquisa sobre consumo

Uma pesquisa divulgada em 2015, pela revista da Academia Americana de Ciências (PNAS), o uso de ar-condicionado está aumentando e pode ser elevado drasticamente até o final deste século, em todo o mundo. Os estudiosos, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, fizeram uma conta básica: a elevação de cerca de 2% da renda familiar, combinado às previsões de escalada nas temperaturas devido às mudanças climáticas, resultariam em um uso maior quase universal do produto.

A elevação da renda levará a um aumento da demanda por eletricidade que, por sua vez, crescerá a emissão de poluentes para a atmosfera a níveis sem precedentes. Nos Estados Unidos, cerca de 90% das residências têm condicionadores de ar. Em comparação, na Índia, que tem uma população quatro vezes maior, com mais dias quentes, a demanda por ar refrigerado é 12 vezes maior.

Com informações de agências



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