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11/05/15

O papel do farmacêutico na promoção do uso racional de medicamentos

Lorena Baia

Presidente do Sinfargo, Lorena Baia assinou artigo no jornal Hoje em Dia, de Goiânia, sobre o papel do farmacêutico na promoção do uso racional do medicamento. Ação fez parte das iniciativas para marcar a Campanha do dia 05 de maio.

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Na época dos boticários, os farmacêuticos preparavam os medicamentos, orientavam os usuários e prescreviam. Com o tempo, esta função foi se perdendo e o farmacêutico se distanciou de seu papel de profissional de saúde com a farmácia voltando-se mais para o lucro. Hoje, essa realidade está mudando, pois há alguns anos o farmacêutico luta em suas entidades de classe pela consolidação da farmácia clínica e pela valorização profissional, tendo conquistado, recentemente, grandes vitórias: o Conselho Federal de Farmácia regulamentou as atribuições clínicas do farmacêutico e publicou uma resolução que autoriza o farmacêutico a prescrever Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs). Outra grande conquista foi a aprovação, depois de 20 anos de luta, da Lei 13.021/2014, que transforma farmácias e drogarias em Estabelecimentos de Saúde, e determina a permanência do farmacêutico como responsável técnico durante todo o horário de funcionamento. Estímulos que resgatam o papel do farmacêutico e o colocam como membro indispensável da equipe multiprofissional de saúde. É sempre bom alertar a população que a Lei 13.021 se aplica tanto às farmácias privadas quanto às públicas ( do SUS) e que, tanto em uma como outra, ela deve exigir a presença do farmacêutico no momento da dispensação. Afinal ninguém aceita ser atendido por um recepcionista na ausência do médico ou passar por um procedimento dentário com a auxiliar do cirurgião dentista, não é mesmo? Então por que aceitar ter os seus medicamentos dispensados por profissionais não habilitados nas unidades de saúde? É o que acontece, por exemplo, em muitas unidades básicas da Prefeitura de Goiânia. Na semana em que se comemora o dia nacional do uso racional dos medicamentos (5/5) vale lembrar a contribuição que o farmacêutico pode dar nesta área. Os medicamentos são a principal forma de intervenção terapêutica e podem ser utilizados desde uma simples dor de cabeça até os mais complexos casos de recuperação ou manutenção das condições de saúde. No entanto, dados da Organização Mundial de Saúde evidenciam que mais de 50% da população utiliza de maneira incorreta o seu medicamento. Eles são a principal causa, por exemplo, de intoxicação em seres humanos no Brasil, ocupando, desde 1994, o primeiro lugar nas estatísticas do Sistema Nacional de Informações Toxico-Farmacológicas – Sinitox. A população necessita compreender os riscos que corre ao se automedicar, seja comprando livremente nas farmácias os isentos de prescrição, seja utilizando o medicamento indicado ou emprestado pelo amigo, parente ou vizinho. Por isso, defendemos que o usuário/cidadão deve consultar o farmacêutico de plantão toda vez que entrar em uma farmácia e nunca deve tomar medicamentos sem a orientação deste profissional de saúde. O processo de regulamentação da prática da prescrição pelo Conselho Federal de Farmácia teve como objetivo, entre outros, reduzir a automedicação nos balcões das farmácias e drogarias, responsabilizando o farmacêutico por sua aplicação. E reconhecendo-o como um profissional de saúde habilitado e qualificado para acompanhar, aconselhar e orientar adequadamente sobre alguns tipos de medicamentos, no caso em questão, os isentos de prescrição, que até então eram adquiridos livremente e sem qualquer tipo de orientação. Não podemos deixar que medicamentos de venda livre continuem sendo utilizados sem qualquer tipo de orientação e cuidado profissional. Os medicamentos podem dispensar prescrição, mas não são isentos de reações adversas e efeitos colaterais. Há um profundo vazio assistencial a exigir que o farmacêutico ocupe seu espaço promovendo o uso racional de medicamentos. Na farmácia, procure sempre pelo farmacêutico!



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