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23/09/19

Educação de excelência para um país rico e uma Nação soberana

Carlos Magno Corrêa Dias

Apesar do quadro ruim quando o assunto é educação, o Brasil é exemplo de excelência em diversas competições internacionais do saber. É o que aborda conselheiro da CNTU em artigo.

 

 

 

Quando o assunto é Educação no Brasil, ou melhor, qualidade do Ensino-Aprendizagem no Brasil sempre se depara com um quadro lastimável, falho e vergonhoso; passível de duras críticas e severas observações.

 

Todavia, afirmações tais como as precedentes não traduzem a real situação da correspondente questão em Terras Nacionais haja vista que muitos Jovens Estudantes Brasileiros têm demonstrado excelência no campo do Ensino-Aprendizagem ao redor do mundo.

 

É isto mesmo, o Brasil é exemplo de excelência em Educação em praticamente todos os campos do saber. Nossos Estudantes Brasileiros “arrasam” em competições internacionais sobre conhecimento e são os “caras” a serem vencidos em muitas competições internacionais sobre Conhecimento dado o elevado grau de qualidade que possuem.

 

Saliente-se, por exemplo, que na WorldSkills 2019, realizada em Kazam, na Rússia, a maior competição de Educação Profissional do mundo, considerada a Olimpíada Internacional de Educação Técnica, o Brasil conquistou duas medalhas de ouro, cinco de prata e seis de bronze, e, também, conquistou vinte e oito certificados de excelência em ocupações nas quais os competidores ficaram acima da nota média.

 

A Delegação Brasileira conquistou na WorldSkills 2019 o terceiro lugar na classificação geral enquanto a China, que sediará a próxima WorldSkills em 2021, em Xangai, assumiu o primeiro lugar e a Rússia ficou em segundo.

 

O Brasil é medalhista na WorldSkills já há 30 anos desde 1989 quando obteve sua primeira medalha de prata. Desde 2007, consecutivamente, o Brasil é TOP FIVE nas edições da WorldSkills: em 2019 obteve o 3º. lugar, em 2017 o 2º., em 2015 o 1º., em 2013 o 5º., em 2011 o 2º., em 2009 o 3º. e foi o 2º. lugar na 39ª. edição realizada em 2007; embora já estivesse entre os cinco melhores do mundo, também, em 1995 e em 1993 quando conquistou o terceiro e o quinto lugar respectivamente. 

 

Saliente-se que o BRASIL sendo o grande campeão na WorldSkills em 2015 tornou-se o país com a melhor “Educação Profissional” do planeta e não apenas venceu a competição como, também, tornou-se o país a ser “batido” nas próximas edições dada a qualidade superior dos nossos Jovens Estudantes. 

 

Nossos Estudantes também “detonam” em Matemática, Física, Química, Biologia, Informática, dentre outras áreas, demonstrando sua supremacia ao conquistarem medalhas, certificados de excelência, menções honrosas e muitos primeiros lugares em quantidades que aumentam seguidamente a cada nova edição em Competições Internacionais tais como: IBO (International Biology Olympiad), IChO (International Chemistry Olympiad), IJSO (International Junior Science Olympiad), IMO (International Mathematical Olympiad),IMOF (International Mathematical Olympiad Foundation), IOAA (International Olympiad on Astronomy and Astrophysics), IOI ((International Olympiad in Informatics), IPhO (International Physics Olympiad), IYPT (International Young Physicists' Tournament), OIAB (Olimpíada IberoAmericana de Biologia), OIAQ (Olimpíada IberoAmericana de Química), SHELL-ECON-MARATHON, Olimpíada de Matemática do Cone Sul, entre outras tantas. 

 

Os Estudantes Brasileiros chegam a obter medalhas de ouro internacionais com o conhecido “ouro perfeito” quando obtém nota máxima gabaritando as respectivas provas.

 

Sendo assim por que, então, em quaisquer avaliações comparativas sobre Educação, como o PISA (Programa de Avaliação Internacional de Estudantes) da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), ficamos sempre nas últimas posições demonstrando um Sistema de Ensino-Aprendizagem ultrapassado, falido, menor? Se nossos Estudantes são campeões em várias Olimpíadas sobre Conhecimento por que não nos permitimos replicar o que de melhor desenvolvemos no campo do Ensino-Aprendizagem?

 

Desde a primeira edição do PISA, o principal Programa Internacional de Avaliação Comparada do mundo, o Brasil se mantém nas últimas colocações. Na primeira edição o Brasil ficou em último lugar. De lá para cá nunca mais ficou em último lugar. Entretanto, o desempenho do Brasil sempre foi ruim. O número de países avaliados foi aumentando com o passar dos anos, mas o Brasil sempre permaneceu nas últimas posições demonstrando nível de aprendizagem julgado abaixo do adequado segundo os parâmetros da OCDE.

 

A cada três anos o PISA é aplicado, desde 2000, a Estudantes na faixa dos 15 anos que tenham concluído a escolaridade básica obrigatória. O principal objetivo do PISA é medir o conhecimento e a habilidade dos Estudantes sempre nas três áreas: Matemática, Ciências e Leitura; “para produzir indicadores que permitam avaliar a qualidade da Educação de forma a possibilitar a instauração de políticas de melhoria constante do Ensino necessário para a formação adequada dos Jovens Cidadãos que atuarão profissionalmente no mundo em futuro próximo”.

 

A última edição do PISA ocorreu em 2018 e no Brasil foi aplicada para Estudantes nascidos em 2002 e matriculados a partir do sétimo ano do Ensino Fundamental. O PISA 2018 foi realizado com o uso de computador, sendo priorizada a área da Leitura. A cada edição uma área dentre as três é a principal a ser avaliada. Pela primeira vez, também, os Pais dos Estudantes selecionados foram chamados a responder um questionário. Não se tem ainda a divulgação oficial dos dados do Pisa 2018.

 

A despeito da nova estrutura do PISA 2018 evidências já dão conta que os Estudantes Brasileiros apresentarão resultados comparáveis aos das edições anteriores e ficarão possivelmente nas últimas posições, pois cerca de 61% não conseguiram chegar até a última questão da primeira parte da prova. Muitos Estudantes não entenderam, também, o que foi solicitado e deixaram de responder várias das questões solicitadas.

 

Como os resultados do PISA 2018 somente serão divulgados no final de 2019 tem-se oficialmente apenas o perfil dos avaliados até a edição de 2015.

 

Todavia, as avaliações do PISA 2015 não mostram um quadro animador, pois em Ciências os Estudantes Brasileiros ficaram apenas no nível 1 de proficiência quando o nível de alta performance é o 6. Cerca de 2/3 dos Estudantes Brasileiros ficaram abaixo da linha básica de proficiência em Matemática e mais da metade foram classificados abaixo do nível 2 em Leitura. 

 

Segundo o PISA 2015 em Leitura os Estudantes Brasileiros não conseguem integrar, interpretar ou deduzir informações em textos não triviais, demonstrando que somente conseguem perceber informações explícitas ou aquelas de fácil percepção, mas não são capazes de estabelecer relações entre as partes do texto e nem tão pouco conseguem compreender ou interpretar nuances da linguagem. 

 

Segundo o Pisa 2015 os Estudantes Brasileiros não são capazes de resolver problemas nos quais as quatro operações algébricas se apresentam ao mesmo tempo, não conseguem interpretar problemas que exigem apenas deduções diretas da informação dada e não compreendem percentuais, frações ou gráficos. Pela avaliação de 2015 os Estudantes Brasileiros são capazes de aplicar aquilo que sabem tão somente a limitadas situações de seu cotidiano e não conseguem explicar cientificamente situações simples nas quais as próprias evidências já permitiriam o entendimento. 

 

Mas, como pode a maioria dos Estudantes Brasileiros não conseguir resolver simples problemas de Matemática contendo as quatro operações e outros gabaritarem provas internacionais de Matemática difíceis e serem os melhores do mundo nos correspondentes campeonatos? 

 

Uma possível resposta é a total falta de compartilhamento entre as referidas realidades, pois o mundo que forma os nossos campeões interacionais em Matemática e o mundo onde habitam os “analfabetos em Matemática” não conversam, não interagem entre si, não se reconhecem. 

 

Embora absurda semelhante situação, existem até aqueles que não sabem de nossos campeões internacionais em conhecimento e outros que nunca ouviram falar em PISA. Esta ignorância, ou irresponsabilidade, vem prejudicando o futuro melhor de nossos jovens; porquanto ao mesmo tempo que se mantém uma Educação “ruim” não se apropria das muitas soluções que temos desenvolvidas em nosso próprio país e poderiam melhorar em muito a situação caótica e fragilizada da Educação no Brasil. 

 

É mais que urgente replicar, disseminar, para todos os Jovens Estudantes do Brasil a expertise que já possuímos e que nos distingue como vitoriosos internacionalmente em várias áreas do conhecimento. Todas as responsabilidades devem ser chamadas, inclusive das Universidades, para rever as razões deste absurdo distanciamento.

 

Outra das respostas para a questão anterior considerada seria a falta de um Projeto de Estado com Políticas Públicas eficientes para resolvermos os gravíssimos problemas que temos em Educação. Deve-se ter a consciência que é urgente melhorarmos a Educação Formal desde as primeiras séries para podermos garantir um futuro melhor para os Jovens Brasileiros. É exigido pensar na qualidade da Educação como a maior força e o melhor aliado para se ter uma Nação Rica e Soberana.

 

Existe, porém, ainda, uma ilusão que “países ricos tem Educação de qualidade”, na razão direta da condicional: “se o país é rico, tem Educação de excelência”. É necessário salientar, entretanto, que não será tornando o Brasil rico que se melhorará a Educação, pois já é provado que a qualidade da Educação nos países não tem a ver, necessariamente, com a riqueza do país uma vez que um país se tornará rico conforme seja capaz de investir com inteligência e resiliência os recursos que possui em Educação. Cite-se, por exemplo, o caso da Coreia do Sul.

 

Tal qual a formação excelente dos estudantes que vencem competições internacionais o Ensino necessita ser mais prático do que apenas teórico. No mundo 4.0 não há como a Educação não acompanhar a evolução das Tecnologias e da Inovação. O modelo de Sala de Aula, da Educação, da formação dos Professores, exige um novo olhar. Uma Educação 4.0 deve deixar para trás o Ensino-Aprendizagem anterior. Uma Escola do passado não formará Profissionais para o futuro que exige Inovação e Disrupção.

 

A união entre Tecnologias, Educação e Inovação Disruptiva já uma realidade sem volta. A Educação no estilo “learning by doing” (“aprender fazendo”) ou as EdTechs (Tecnologias Educacionais e Metodologias Ativas) se não implementadas na Escola tornarão o Ensino-Aprendizagem cada vez mais obsoleto, cada vez mais restritivo e inadequado. A Educação com Tecnologias, a Educação Profissionalizante que atenda às necessidades do Mundo 4.0, surge como condição imprescindível para o desenvolvimento. Contudo, não se deve esquecer que investimentos em Tecnologias não são sempre baratos. Então, um novo olhar na formação de Políticas Publicas para a Educação deve ser pensado muito criteriosamente.

 

Na Indústria 4.0 e seguindo a ideia da “formação continuada” já se inventou outra forma universal de formação após a Escola. Atualmente, depois do Ensino Fundamental e Médio não está, necessariamente, a Universidade. O mundo da Técnica de alta qualidade, do saber fazer, passa a concorrer com os diplomas. As habilidades “hard skills” e “soft skills” em associação mútua disputam as vagas de mercado de forma muito intensamente. 

 

Centrado na cultura “maker”, nas Tecnologias do Cyber-Físico, no mundo onde máquinas não apenas constroem máquinas mas ensinam outras máquinas, será necessário, também, e fundamentalmente, um Professor 4.0 muito diferente daqueles que temos ainda nas Salas de Aula. Assim, para o sucesso da Educação, para que por meio da Educação o país seja rico, são necessários altos investimentos na formação do novo Professor. Sem o Professor habilitado com as novas Tecnologias não haverá jamais Educação de qualidade.

 

As muitas questões envolvidas para se construir a Educação de qualidade do Brasil necessitam ser discutidas e trabalhadas em todos os segmentos da Sociedade nos quais se tenha o firme propósito de desenvolver uma Educação para o desenvolvimento e progresso de nossa Nação e para que sejamos uma Nação Rica. Certamente, o Brasil necessita construir sua Educação 4.0, inovadora, sustentável, disruptiva e de qualidade para não comprometer mais ainda o futuro melhor de nossos Jovens Estudantes e futuros Profissionais.

 

 

*Carlos Magno Corrêa Dias é conselheiro efetivo do Conselho das Mil Cabeças da CNTU, conselheiro sênior do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE) do Sistema Fiep, líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Tecnológico e Científico em Engenharia e na Indústria (GPDTCEI), líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Lógica e Filosofia da Ciência (GPLFC), coordenador do Núcleo de Instituições de Ensino Superior do CPCE do Sistema Fiep, personalidade empreendedora do Estado do Paraná.

 

 

 

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