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10/10/19

Artigo - Os apagados da história comprometerão a sustentabilidade

Carlos Magno Corrêa Dias*

"Quantos conteúdos não estariam armazenados em um floppy-disk esquecido lá em uma caixa guardada por um familiar nosso?".

Embora a forma comum de se armazenar informação seja por meio da palavra escrita impressa, tanto o registro quanto o acesso posterior aos correspondentes conteúdos sempre se mostrou deficitário e oneroso ao longo do tempo na medida em que, principalmente, os volumes são ampliados cada vez mais. Inevitavelmente, então, as correspondentes dificuldades obrigaram o homem a inventar formas mais eficientes para guardar e acessar suas informações.

Assim, a informação passou a ser gravada em mídias de grande capacidade de armazenamento. Surgiram mídias magnéticas, disquetes, CD-R, CD-RW, DVDs graváveis e regraváveis, cartões de memória, pen drives, armazenamento distribuído, compartilhamento de arquivos em redes locais, e-mail, disco virtual, serviços de hospedagem de arquivos, computação nas nuvens, dentre outros dispositivos, para guardar as muitas informações geradas.

Entretanto, algumas das várias outras formas de armazenamento possíveis não estão mais em uso frequente e, muitas delas, simplesmente, deixaram de existir com velocidade tal que sequer foi possível pensar nas maneiras de recuperação posterior. Veja-se, por exemplo, que a maioria dos atuais computadores pessoais disponíveis no mercado não são mais constituídos de suportes para drives de disquetes (sendo que os mesmos sequer chegaram a ser experimentados ou mesmo conhecidos pelos mais novos).

Haverá, então, certamente, o momento no qual as hoje usuais portas USB deixarão de existir nos computadores mais modernos no futuro próximo porque serão substituídos por outras possibilidades da mesma forma natural.

Quanta informação, então, já se perdeu guardada em dispositivos que não mais são utilizados? Quantos conteúdos não estariam armazenados em um floppy-disk esquecido lá em uma caixa guardada por um familiar nosso? Quantos são os antigos formatos de arquivos criados que não mais podem ser acessados devido às versões atualizadas postas em uso para substituir versões menos potentes executáveis no passado?

De outro lado, há de se salientar que são raras as empresas que sobrevivem por várias décadas e muitas das instituições não mais existentes não repassam plenamente, em geral, seus bancos de dados para outras que as assumem, pois nem sempre são substituídas em uma linha de sucessão contínua. Quanto conteúdo digital é perdido ano após ano devido à simples evolução dos computadores, dos sistemas de armazenamento e distribuição de informação, das formas de disseminação e de transmissão, ou das mudanças dos negócios?

A guarda e o acesso adequado da informação armazenada, em qualquer tempo, porém, constitui necessário procedimento sustentável para o desenvolvimento e o progresso.

No sentido contrário ao do raciocínio em foco corremos, então, o risco de deixarmos de existir historicamente por nos tornarmos incapazes de guardar (com as devidas precauções e segurança) nossas informações que já criamos. É possível sermos “apagados” da História e provocaremos um descontínuo no conhecimento, um vazio na sequência do desenvolvimento, que obrigará as próximas gerações a recomeçar e a recomeçar novamente; embora, acrescente-se, a “mãe” História não se canse de nos alertar sempre sobre o correspondente perigo.

Mas, o apagar segue intensificado. Como as modernidades surgem e desaparecem na perspectiva da inovação associada com o mundo das possibilidades próprio das tecnologias em velocidade espantosa e quase imperceptível, não controlável, cada amanhecer é como se fosse uma nova era e a preocupação com o registro e a recuperação da informação gerada continua, porém, não caminhando na mesma estrada da evolução. A História já começou a nos “apagar”. Evidências não faltam.

Se não desenvolvermos procedimentos efetivos para guardar apropriadamente nossas informações em repositórios que permitam a recuperação sempre necessária das informações armazenadas, as gerações futuras encontrarão (certamente) menos possibilidades que a atual. Muito terá que ser descoberto, reinventado e desenvolvido mais uma vez.

Semelhante situação gerará custo material e imaterial muito elevado para as próximas gerações. Todo trabalho presente seria comprometido pelo simples esquecimento. Assim somos chamados a pensar mais categoricamente como preservar continuamente nossas atuais informações para a manutenção da sustentabilidade futura.


*Carlos Magno Corrêa Dias é conselheiro efetivo do Conselho das Mil Cabeças da CNTU, conselheiro sênior do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE) do Sistema Fiep, líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Tecnológico e Científico em Engenharia e na Indústria (GPDTCEI), líder/fundador do Grupo de Pesquisa em Lógica e Filosofia da Ciência (GPLFC), coordenador do Núcleo de Instituições de Ensino Superior do CPCE do Sistema Fiep, personalidade empreendedora do Estado do Paraná./ Publicado originalmente no Blog Giro Sustentável.



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