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01/07/10

EUA proíbe indústria farmacêutica de dar palestras

A decisão nos Estados Unidos partiu de um órgão do sistema nacional de saúde norte-americano (INH), que credencia cursos de educação continuada, e foi acatada pela associação de médicos

A indústria farmacêutica foi proibida de promover palestras em um dos maiores congressos médicos do mundo, o da American Heart Association, marcado para novembro em Chicago (EUA). Tanto lá, como no Brasil, o debate sobre a interferência das indústrias farmacêuticas na atuação do médico tem sido intensa e muito polêmica.

A decisão nos Estados Unidos partiu de um órgão do sistema nacional de saúde norte-americano (INH), que credencia cursos de educação continuada, e foi acatada pela associação de médicos. A principal justificativa para o veto é que eventos de educação médica continuada devem ser isentos, e não parte de uma estratégia de marketing da indústria. Para especialistas, é comum a indústria divulgar nesses eventos informações enviesadas, que valorizam apenas aspectos positivos de uma determinada droga.

No Brasil, mais da metade do custo financeiro de um congresso médico é bancado pela indústria farmacêutica e de equipamentos. A maioria dos médicos concorda com isso. CFM (Conselho Federal de Medicina) e a Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) discutem a possibilidade de separar eventos da indústria da programação científica dos congressos.

 

Um grande negócio
Hoje, as farmacêuticas compram o espaço e montam a programação que desejarem. Chamados de "simpósios satélites", esses eventos são bem concorridos, porque reúnem especialistas renomados, muitos vindos do exterior, e costumam ocorrer na hora do almoço, com comida e bebida grátis para médicos.

"Já foi bem pior. Antes, havia sorteio de brindes, que foi proibido pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]", diz o cardiologista Bráulio Luna Filho, conselheiro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).

Luna Filho coordenou recentemente uma pesquisa sobre a influência da indústria de medicamentos e equipamentos na classe médica. A pesquisa realizada pelo Cremesp mostrou que 58% dos médicos paulistas são favoráveis ao patrocínio. Um a cada cinco (19%) concorda que a indústria opine sobre a programação de congressos e simpósios médicos.

Polêmica

A decisão do sistema nacional de saúde dos Estados Unidos está dividindo a opinião médica no país. Para a professora Adriane Fugh-Berman, da Georgetown University School of Medicine, profissionais pagos pela indústria não têm condições de avaliar terapias quando eles têm uma participação financeira na matéria. "Não é duvidar da integridade das pessoas. Há bons médicos e cientistas trabalhando para a indústria. Estamos falando sobre a avaliação da ciência, e essa informação tem que ser isenta", diz Fugh-Berman, pesquisadora líder do PharmedOut, um projeto de educação médica que alerta sobre a influência das farmacêuticas na prescrição médica.

Luna Filho, do Cremesp, concorda: "A proposta [americana] é auspiciosa. No Brasil, estamos muito longe disso. Grande parte dos médicos envolvidos com a indústria nem declara que é empregado dela. Colocam-se como professores, pesquisadores. Mas se eu tenho um contrato de prestação de serviços para apresentações em congresso, eu sou empregado dela."

Segundo ele, as informações divulgadas em eventos da indústria dentro dos congressos são enviesadas. "Muitas vezes, a indústria diz que o produto dela é melhor que o do outro, mas é só opinião. Não há evidência científica da superioridade em relação a uma outra droga. Mas não há pessoas que contestem isso. Existe só um lado."

Indútria paga a conta
As sociedades médicas garantem que esse tipo de interferência não ocorre, nem mesmo quando os próprios palestrantes do evento são patrocinados pela indústria, prática comum na maioria das reuniões médicas.

No congresso da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que acontece em setembro em Belo Horizonte, tudo tem patrocínio da indústria, do papel timbrado ao jantar do presidente. A entidade afirma ter autonomia sobre toda a programação científica e que, sem a ajuda da indústria, o custo do encontro seria muito alto, o que inviabilizaria a participação dos médicos. A AMB (Associação Médica Brasileira) também se diz favorável ao patrocínio, desde que as informações sejam isentas.

Para Antônio Britto Filho, presidente da Interfarma, é "impossível" evitar o contato entre médicos e a indústria de medicamentos. "Qualquer pessoa sensata vai chegar à conclusão de que esse é um diálogo que tem que existir. A questão é como organizá-lo em bases éticas."

A Interfarma reúne 29 laboratórios, a maioria multinacionais, que representam 54% do mercado brasileiro de medicamentos. A entidade se juntou ao CFM (Conselho Federal de Medicina) para revisar o código de conduta, em vigor há dois anos.

Fonte: Fenafar, com informações da Folha de S.Paulo

 



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