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24/10/14

Projeto de lei determina presença de dentistas em UTI

Projeto aprovado pelo Senado implica na exigência deste profissional como forma de reduzir o número de infecções bucais em portadores de doenças sistêmicas

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A boca é a porta de entrada de inúmeras doenças, dentre elas a infecção hospitalar, as infecções pulmonares, as endocadites (infecções no coração), infecções renais e outras, e afetam especialmente pacientes com baixa imunidade. O Ministério da Saúde registra uma média de 15,5% de infecções hospitalares por ano no Brasil, enquanto no resto do mundo os índices giram em torno de 5%. Um índice que poderia ser revertido com a adoção de algumas condutas preventivas, dentre elas a presença de um profissional da área de odontologia nas unidades de terapia intensiva (UTI).

Um projeto aprovado pelo Senado - só aguarda a sanção presidencial - implica na exigência deste profissional como forma de reduzir o número de infecções bucais em portadores de doenças sistêmicas, como diabetes, entre outras. Com isso, aumenta a relevância de projetos como o da Unidade de Pesquisa e Estudos Avançados em Saúde (Upeas), que visa a preparar, por meio de cursos, cirurgiões dentistas na área de odontologia hospitalar.

"O objetivo é preparar esses profissionais para o tratamento e a prevenção de pacientes graves, e as alterações bucais relacionadas", explica o cirurgião dentista Luis Alberto Valente Júnior, do Hospital das Clínicas da USP, que alerta: "As infecções bucais aumentam a possibilidade de infecções generalizadas nas unidades de terapia intensiva. Elas podem levar à pneumonia associada à ventilação mecânica - doença responsável por 30% das mortes nas UTIs", afirma.

Embora a presença de um cirurgião especializado em buco-maxilo para atendimento de pessoas vítimas de traumas, tumores da face e outros problemas deste porte já seja uma realidade em hospitais terciários, o fato é que, nas UTIs, onde os pacientes estão mais fragilizados e permanecem por mais tempo, o dentista seria imprescindível.

De acordo com o cirurgião dentista rio-pretense Paulo Zahr, presidente da OdontoCompany, pode acontecer de um paciente na UTI não receber uma higienização bucal adequada, e isso acabar levando a uma complicação do seu quadro, devido às inflamações que serão instaladas com a falta de higienização necessária de sua boca (dentes, gengiva, língua, palato), podendo até levar a uma endocardite. Os estudos já conferem às infecções bucais uma inter-relação com outras doenças sistêmicas, além de considerá-las potencialmente capazes de agravar uma condição sistêmica pré-existente, ou, ainda, colaborar para que o indivíduo tenha maior risco de complicações.

As infecções se tornaram um desafio no ambiente hospitalar, sendo uma manifestação frequente no paciente grave, internado na UTI. Isso devido à condição clínica desses pacientes e à variedade de procedimentos invasivos realizados rotineiramente, que determinam uma probabilidade entre cinco e 10 vezes maior de contrair uma infecção, representando cerca de 20% do total das infecções de um hospital.

Todos saem ganhando

O presença de um dentista nas unidades de terapia intensiva ajuda a diminuir os vários tipos de infecções que possam ter ligação direta ou indireta com a cavidade bucal. Além de implicar em benefício para o paciente, o sistema hospitalar como um todo sai ganhando ao reduzir o tempo de internação e uso de antibióticos.

Segundo o cirurgião dentista Marcelo de Souza Junqueira, do Centro de Especialidades Odontológicas e Dor Orofacial (Cendor), uma condição bucal desfavorável pode interferir no prognóstico de pacientes debilitados. "A avaliação completa e a adequação do meio bucal pelo cirurgião dentista são fundamentais para minimizar e prevenir complicações", diz.

Junqueira lembra também que a má higiene bucal nos deixa suscetíveis a infecções. "Nossa população tem péssimos cuidados de preservação e higiene dentária, o que facilita a instalação de endocardite", afirma. Portanto, ele recomenda atenção quando for necessário submeter pacientes a quaisquer procedimentos ou cirurgias bucais, gastrointestinais, ginecológicas ou urológicas, recomendando o uso de antibióticos de forma preventiva. "Mas no caso de procedimentos como instalação de cateteres, sonda uretrais e cateterismo cardíaco, a prevenção não é recomendada ou de valor controverso", diz.

Endocardite é infecção grave

A endocardite infecciosa é uma doença grave, que resulta da invasão de micro-organismos (bactéria ou fungo) em tecido endocárdico ou material protético do coração. "Na realidade, a manutenção de condições de saúde adequadas, incluindo dental, é a melhor prevenção para estes indivíduos", diz o cirurgião dentista Marcelo de Souza Junqueira. Em geral, quando confirmado o diagnóstico de endocardite infecciosa, pode ser necessário manter o paciente internado por um longo período (pelo menos um mês), em uso de antibióticos endovenoso em altas doses.

"Em decorrência da alta mortalidade, em torno de 25%, devemos ficar atentos às complicações clínicas possíveis, como agravamento da lesão valvar pré-existente, insuficiência cardíaca, embolias sépticas sistêmicas, insuficiência renal, e em 35% dos casos há necessidade de cirurgia cardíaca", diz. Por outro lado, um estudo conduzido na Faculdade de Medicina de Rio Preto pelo cardiologista Sírio Hassem Sobrinho e sua equipe, e publicado pelos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, aponta para o sucesso do tratamento ambulatorial, e em casa, de forma acompanhada, em portadores de endocardite bacteriana.

O médico observa que este tipo de endocardite ocorre em 1,7 a cada 6,2 casos por cada 100 mil pacientes, o que representaria uma expectativa de ocorrência de 7 a 24 casos. Por ano, em Rio Preto, o que equivale a 12.5% e 42.8% dos casos incidentes. "Parece-nos uma proporção não desprezível, considerando-se o perfil de gravidade dessa doença", diz.

Sedação consciente

Para os tratamentos odontológicos, a sedação consciente com midazolam, via submucosa, é considerada uma alternativa eficaz em pessoas com necessidades especiais. Esse tipo de sedação permite que os procedimentos planejados sejam realizados com sucesso, sem necessidade de contenção física ou anestesia geral

Você sabia?

:: O Projeto de Lei 2776/08 só aguarda a sanção da presidente Dilma Rousseff para tornar obrigatória a presença de dentistas em todos os hospitais públicos e privados que prestem atendimento a pacientes internados nas unidades de terapia intensiva (UTIs)

:: Realizou-se um projeto piloto de odontologia hospitalar, no período de agosto a dezembro de 2011, no Hospital Estadual Mário Covas, de Santo André. Por meio desse projeto, foi possível verificar a importância da presença do cirurgião dentista no hospital. Com base nos resultados obtidos, cirurgiões dentistas estão sendo contratados para atuar no âmbito hospitalar, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de pacientes internados e portadores de doenças crônicas

Recados aos pais

Crianças portadoras de necessidades especiais precisam de tratamentos odontológicos direcionados de acordo com sua faixa etária e sua necessidade. Então, é responsabilidade dos pais ficarem atentos à higiene bucal dos filhos, pois a boca faz parte do organismo e influencia na saúde como um todo.

É importante que os pais contribuam para a prevenção e avaliem os possíveis sintomas de doenças. Assim, evitam futuros problemas bucais. A adoção das medidas preventivas para a saúde bucal reduz significativamente o índice de cáries, dor e mau hálito

Serviço

Curso de Odontologia Hospitalar - O curso estimula a interação entre equipe de saúde bucal, paciente e médico, para evitar riscos desnecessários ao paciente considerado especial, que vai se submeter a tratamento odontológico em consultório odontológico particular, ambulatório e principalmente em nível hospitalar. Informações (17) 3227-6012. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Cecília Dionizio / FIO



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Comentários   

#2 jhon kennedy pureza 11-04-2018 21:57
:-) e notorio que a nossa boca e porta de entrada de muitos microorganismos que podem causar patologias, as crinçcas são mais vulneravéis a essa expossição de bacterias,
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#1 kathucia 20-03-2018 11:11
:-)
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